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Sim, ela é a minha força!

por Bella

Segunda-feira, na simplicidade e clareza de uma música infantil, percebi algo que, parece-me, era preciso que eu percebesse. Sabe quando você acorda mentalmente cantando uma música que não sabe nem o porquê e nem como ela está ali, naquele momento, dentro da sua cabeça? Foi mais ou menos assim.

De um lado, aquele sol da janela aberta entrando no quarto, de outro, minha mãe me mandando acordar e, ainda de outro lado eu, com minha intensa resistência de querer levantar. Mas nesse dia era diferente. Não era sono. Era medo. Era um dia de medo de encarar a vida.

Geralmente, a única reação dentro desse contexto é pegar o cobertor, por sentir um frio inexistente, cobrir-se até o nariz, encolher as pernas e ficar intacto, dizendo pra si mesmo: “Não, eu não quero te enfrentar hoje vida, me dá um tempo, porque eu sei que vou perder”. Foi em um dia assim, como esse, nada atípico atualmente, que a musiquinha tocou insistentemente em minha cabeça até que eu levantasse da cama. Meio dormindo e meio que inconscientemente eu a cantava e, meio assustada, eu sentia aquilo trazer-me tranqüilidade e calor debaixo daquele cobertor, usado devido ao frio imaginário. Ela dizia:

“(…) e sai pra lá tristeza,

Aqui não tem lugar,

Vou levantar as mãos e vou celebrar,

Ao Deus da minha vida,

Ao Deus da minha paz que me faz feliz demais.

A alegria do Senhor é a minha força,

A alegria do Senhor é o que me faz cantar,

Me faz correr, me faz pular, me faz dizer:

Jesus eu te amo.

A alegria do Senhor é a minha força. (…)”

E ela cantava sozinha em minha cabeça, várias vezes, até que eu levantei.

A história não termina aqui e nem assim, comigo dizendo que, ao levantar, tudo foi incrivelmente diferente e tudo deu certo porque, assim como a bendita musiquinha dizia, “A alegria do Senhor é a minha força”. Assim, nada mais me abalou e, naquele momento eu, agora forte e alegre, consegui correr e pular. Não, realmente a história não termina aqui! Lembro de, em alguma hora desse dia, ter olhado para o espelho e cantado a música com uma expressão linda de alegria. Mas lembro também, de em alguma hora desse mesmo dia, ter chorado intensamente na cama com uma expressão assustadora de tristeza.

Mas, como eu conseguia fazer as coisas? E por quê? Era mais que justo eu ficar o dia todo, lá, no meu quarto, o mesmo do início da história, coberta até o nariz e sentindo aquele frio mentiroso. Eu não tinha forças pra enfrentar a realidade naquele momento. Era mais que justo. Era o meu direito de expressar: “Está doendo”! Por que eu comi naquele dia? Por que eu tomei banho? Por que eu conversei? Por que eu vi televisão? Por que eu fiz suco no almoço? Por que eu levantei daquela cama? Por que eu vivi? Tinha alguma coisa ou muito obscura ou muito simples na conclusão disso tudo. Se, mesmo que eu quisesse, eu não tinha forças, como eu consegui me manter em pé nesse simples dia de uma semana qualquer, em apenas mais um “simples” – grande problema da minha vida? Não sei. Mas sinto que talvez, nesse momento fosse possível entender a missão da musiquinha no meu despertar. Ela veio para dizer que a alegria do Senhor é a minha força. E pronto.

Não vou terminar dizendo que, após isso, tudo acabou bem, eu mentiria. Pelo contrário, não acabou. E também não sei dizer quando isso irá acontecer, pois talvez, todo esse medo, angústia e tristeza sejam apenas um processo de uma ferida que pode demorar muito para passar, ou não. Mas posso dizer que sim, a alegria que Cristo Jesus, o meu Senhor, me dá, é a minha força, que me impulsiona a agir, a viver e a vencer, e é maior que tudo que possa vir a me acontecer.

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Para Jotapê hoje

Dois meses não são nada numa vida.
Pra eternidade, então, o que são dois meses?

Dois meses é um tempo em que a gente pode viver hoje 60 dias. Em dois meses, dá pra amar hoje 60 vezes. E isso já é melhor que prometer amar pra todo sempre.

Mas o que tem dois meses? Dois meses atrás não existia esse blog. E nem conhecíamos o Jotapê – só o Mateus o conhecia.
Mas aí ele apareceu, de verde limão, na rodoviária de BH, com um jornal O Globo e uma mala. Dois meses são mais que suficientes para mudar a vida de seis pessoas. Quatro dias já eram suficientes.

No terceiro, já podia confiar no Jotapê como num grande velho amigo. Ali, a gente já soube o que o outro pensava só de olhar. Ali que o Jotapê entrou no nosso caminho. Ali que ele entrou hoje no caminho.

Dois meses já são suficientes pra nos arrependermos de estarmos longe em datas especiais. Sejam alegres, sejam tristes. Já são suficientes pra nos arrependermos de não ter passado juntos todo o tempo que já se foi. Mas, como o passado é lembrança, vivamos hoje, repito! É com grande alegria que agradecemos pela vida do Jotapê. Vai ser o primeiro ano dele com a gente, com o blog.

Hoje, 23 de abril, dia em que nasceu Shakespeare, comemoramos o nascimento desse cara pequeno, mas gigante, de inteligência estonteante. Temos saudade. Mas, se não dá pra estar perto, pelo menos nos alegramos de longe, sem choro. Ou melhor: com choro! Porque hoje é dia do nascimento de Pixinguinha. E Pixinguinha e Jotapê pedem chorinho:

Criticando a crítica

por Mateus

Uma das ações preferidas da humanidade hoje é criticar o próximo. Apontar defeitos, reclamar de falhas, se queixar, são atos constantes no dia a dia. Infelizmente, isso tem acontecido na Igreja, muito mais que o esperado (isso se tivesse que ser esperado). Se você cometeu algum erro durante a semana e mesmo que já tenha pedido perdão a Deus, se prepare, pois mal vai ter posto os pés na igreja, já terá aquela pessoa te olhando torto, contando para os outros o seu pecado. Com qual finalidade? Bem, eu não sei ao certo, mas desconfio que seja para ter uma sensação ilusória de superioridade, pensar que por você ter falhado com Deus, e ficar apontando o seu erro, ele se faz mais crente. Mas é como eu disse, apenas ilusão, te criticar não fará dele melhor, muito pelo contrário, ele também estará pecando ao julgar. (Mateus 7. 1-5)

Como diria a música “Alto Preço” – lado a lado trabalhando, sua igreja edificando – temos que ser só um corpo e mostrarmos a Martin Luther King que estava errado, ao dizer que aprendemos a voar como pássaros e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos. Esta na hora de vivermos em harmonia. Da próxima vez que apontar os erros de alguém, ajude-o a solucioná-los também!

Para Bella, hoje

pelos garotos do caminho

Nada mais justo que fazer um post em homenagem a essa menina tão especial para nós do blog e claro, para centenas de pessoas. Falar da Isabella é uma tarefa árdua, claro que o motivo não é a ausência de palavras, mas sim, escolher apenas um adjetivo dentre milhares para descrevê-la perfeitamente. Uma pessoa autêntica, nos gestos, nas palavras, nas brincadeiras, nos conselhos, na vida. Uma amiga de primeira categoria, aquela que sempre esta a disposição e nunca nega fogo para ajudar alguém. Uma menina linda, que conquista a todos com seu jeito simples, mas muito elegante. Uma personalidade única, madura e brincalhona, séria e descontraída. Alguém que é impossível não se querer por perto, que é impossível não se amar. Hoje nós te desejamos toda a felicidade do mundo e pedimos que continue assim, maravilhosa e especial, e que nunca se desvie do caminho, porque com certeza, você é inspiração para muitos. Deus te abençoe ricamente. Para a bela mais Bella, os nossos sinceros parabéns!

Hoje no caminho…

por Raphael

Acredito que tudo merece uma explicação, principalmente o nome do Blog. Por que hoje? Que caminho?

Hoje não é meramente uma indicação de tempo. Hoje é mais que isso. Hoje é um compromisso, uma aliança, uma disposição à continuidade. A história começa quando se pensa em amar hoje e renovar esses votos a cada dia, como se Hoje fosse o derradeiro momento, independente se outro dia vier. É viver esse amor a cada dia. O futuro a nós não pertence, por isso não nos atemos a ele pois “o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Mt 6.34) É por isso que para nós o hoje é de extrema importância. O futuro é incerto, o passado imutável, resta-nos o presente. É nele que vivemos.

E isso nos leva ao Caminho. A intenção é mantê-lo, por isso o seguimos com sinceridade e lealdade. Por isso o seguimos hoje. Como nos foi ensinado e como cremos de coração, esse Caminho é Cristo; nEle está a salvação e a beleza. Ele é a salvação e a beleza.

uma tensão hoje

por Eler

Minha visão do cristianismo hoje muda todo dia. Nos útlimos três anos, acho, ela se tornou bem fluida. Acho que foram os três anos em que, mais que nunca, descobri que só posso viver o evangelho no mundo. Com isso, vêm os problemas. Porque sempre disseram que tudo o que tem no mundo é contra Deus, é do diabo, e não presta pra nada. Só que eu tenho que estudar, e não é mais no saudoso Colégio Presbiteriano, de Governador Valadares. Eu tenho amigos, e eles não são só os amigos crentes da UPA. Eu tenho que aprender, e não é a ordem dos livros na escola dominical.

A gente descobre, mais dia, menos dia, que o mundo não é preto-no-branco. A gente até descobre o que significa maniqueísmo, porque sabe o quanto essas simplificações são perigosas.

Antes eu tinha a resposta para tudo. Fumar maconha? Ah, ninguém nunca ia ter coragem nem de me oferecer, porque sabem o que EU SOU! Mitologia grega? Paganismo! Filosofia? Qual a importância dela se já sei que o fim do homem é “glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”? Evolucionismo? Impossível aceitar que Darwin estivesse certo em uma linha qualquer, se na Bíblia diz que o homem foi criado. Ciência? Um instrumento que só comprova o que a religião já diz. Socialismo? Um sistema autoritário e perseguidor da Igreja. As outras igrejas? Pouco conhecem de bíblia, ou não diriam tanta besteira. Os ateus? Insensíveis amorais (confesso: na época, talvez nem soubesse o que era amoral). A pós-modernidade? O tempo em que o mundo se esqueceu de Deus, e em que as pessoas perderam a referência.

Mas aí descobri: é o tempo em que vivo. Onde vou ser cristão, se não no mundo? Qual o proveito têm as pedras e as plantas na sabedoria dos monges ascetas? Como vou negar tudo aquilo que ajudou a formar minha consciência, que explica o mundo em que devo viver? Parece que a tensão é nova e, por isso, não temos resposta. Talvez não seja.

Em resumo, os apologistas* dão testemunho da tensão em que vivem os cristãos dos primeiros séculos. Ao mesmo tempo que rejeitam o paganismo, têm de enfrentar o fato de que esse paganismo produziu uma cultura valiosa. Ao mesmo tempo que aceitam a verdade que encontram nos filósofos, insistem na superioridade da revelação cristã. Ao mesmo tempo que se negam a adorar ao imperador, e esse mesmo imperador os perseguem continuam orando por ele e admirando a grandeza do Império Romano. As seguintes linhas do ‘Discurso a Diogneto’ descrevem admiravelmente essa tensão:

“Os cristãos não se diferenciam dos demais por sua nacionalidade, por sua linguagem nem por seus costumes (…). Vivem em seus próprios lugares, mas como transeuntes, peregrinos. Cumprem todos os seus deveres de cidadãos, mas sofrem como estrangeiros. Onde quer que estejam encontram sua pátria, mas sua pátria não está em nenhum lugar (…). Se encontram na carne, mas não vivem segundo a carne. Vivem na terra, mas são cidadãos dos céus. Obedecem todas as leis, mas vivem acima daquilo que as leis requerem. Amam a todos, mas todos os perseguem (Discurso a Diogneto, 5:1-11)”

[In GONZALEZ, Justo L. Uma História Ilustrada do Cristianismo: A Era dos Mártires (vol. 1), p.94.]

Qual a resposta, afinal? A síntese da nossa história, enquanto cristãos, é a forma com que Deus se revelou a nós, plenamente, em seu Filho, Cristo Jesus. Ele se relacionou conosco, enquanto ainda vivíamos para o mundo (e estávamos mortos para Deus).

Se hoje estamos no caminho, é por ele. E não interessa que o caminho seja uma estrada celestial. O caminho é Cristo e o caminho é aqui. Cristianismo autista não serve para nada.


*Apologistas eram os homens que se dedicavam a defender os cristãos, no início da Igreja, em meio a ataques de cidadãos romanos e intelectuais, em tempos de perseguição ou de paz.

A ansiedade e o “natural de Deus”

por Jotapê

Como o blog (pra mim, e para os outros de forma mais efetiva) surgiu do acampamento de carnaval, nada mais justo do que compartilhar aqui um texto que foi compartilhado na primeira das breves (y) devocionais feitas no quarto dos garotos. Esses momentos serão lembrados com certeza por todos aqueles que lá estiveram; em mim, deixaram uma marca que ficará para sempre, de momentos de grande alegria e comunhão, com pessoas que eu acabara de conhecer, mas que afinal também eram do Caminho, e por isso tínhamos (e temos) tudo em comum. A todos, do quarto ou não, meu abraço mais apertado.
O texto em questão é um de meus preferidos, e se encontra em Mateus 6.25-34. Isso porque ele trata, com a doçura das palavras de Jesus, de um tema muito real em nossas vidas, na minha com certeza: a ansiedade. Seja aqueles que estão diante do terrível vestibular, seja aqueles que já cruzaram essa porta de entrada no Olimpo, e descobriram que é apenas o começo, ou os que no meio do caminho param e se perguntam: “Quê que eu to fazendo? Quê que eu vou fazer da vida?”, todo mundo passa por essa situação de ansiedade. Isto é, todos nós ficamos aflitos diante de situações que em geral nem podemos controlar, ou prever seus resultados. E aí entra a maravilhosa resposta de Jesus.
O argumento do Senhor é impressionante em sua lógica, e simplicidade. Primeiramente, ele reordena as nossas prioridades (v.25). Não adianta perdermos tempo e energia e negligenciarmos aquilo que é fundamental; quando olharmos para trás, veremos que desperdiçamos muito de nossa vida. O Senhor também fala da inutilidade de nos preocuparmos com aquilo que foge ao nosso controle (27); não faremos o tempo correr mais rápido nem mais devagar, nem mudaremos o mundo com a nossa ansiedade.
Mas de tudo, o exemplo usado por Jesus é o que mais me fascina: é um convite a admirar a criação de Deus (26, 28-9). Toda a criação é um deslumbrante tratado sobre o cuidado de Deus, e está sempre à nossa disposição, para que aprendamos com ela. Pare! Olhe um pouco à sua volta, e veja o quanto Deus cuida de você, muito mais do que das aves… É impressionante como em nosso mundo gospel, as pessoas clamam cada vez mais pelo “sobrenatural de Deus” (seja lá o que isso for). Esperam grandes acontecimentos, que o céu se abra num grande evento pirotécnico etc. Mas cada vez mais me fascina, e me basta, contemplar o natural de Deus, como o próprio Senhor nos orientou tantas vezes. Os exemplos que Cristo utilizou para explicar sua mensagem e vontade eram sempre de coisas naturais, de nosso cotidiano. O mundo que ele criou está cheio da sabedoria divina, mas muitas vezes não percebemos. Estamos cada vez mais desatentos à voz de Deus, que quer nos falar a cada dia e em todo lugar; por isso, nos tornamos “homens de pequena fé” (30).
Jesus nos mostra que nos inquietarmos com tantas e pequenas coisas é desconhecer a Deus, porque ele sabe das nossas necessidades (31-2). Basta colocarmos tudo diante Dele. Assim, revendo nossas prioridades, e buscando o mais importante primeiro (33), teremos a serenidade de viver um dia de cada vez (34), sem tropeçarmos em nossos passos. Mantendo atento o nosso olhar atento ao “natural de Deus”, descansaremos sempre em seu cuidado.
Assim seja.