A razão em Cristo, Cristo como razão.

por Phael

Algumas vezes me pego em conversas interessantes com o Eler. Essa foi apenas mais uma delas (é um pouco de reflexão de nós dois, mas é também, na maioria das vezes, um monte de respostas – dele – para um monte de perguntas – minhas).

E o que ela tem de tão especial? Ela une Nietzsche, Heidegger, Benjamin, Vattimo e outros e chega a um ponto comum, Cristo. Seja como razão, como sensibilidade, como retórica, como opinião, ela chega a Cristo. E isso a torna especial. (Colocarei notas para explicar cada termo que aparecer.)

Bom, sem mais demoras, vamos à conversa:

André: me fala do belo
da experiância do belo e da experiência estética
tipo: pra você, que acredita em absolutos e esse papo metafísico, o que é o belo?
Raphael: o belo é um cantor de pagode que pintou o cabelo de loiro e foi preso por tráfico de drogas
bom, eu acredito em absolutos, mas não para tudo… beleza é, sim, relativa
inclusive o belo não tem nada de belo, mas há quem o ache belo
mas bom
André: mas e na música?
o que é uma música bonita?
boa música?
Raphael: como vivemos numa sociedade super estetizada, há uma necessidade de se criar padrões, que não duram muito, porque passa tudo muito rápido. as vanguardas não se sustentam…
hummmm
boa pergunta
André: há vanguardas?
e, esses padrões são criados por quem?
quem os obedece?
Raphael: hahaha, vou acabar entrando num discurso esquerdista, antiditatorial e antimanipulação xD
não sei por quem são criados
acredito que seja pelos “formadores” de opinião
mas quem os obedece é quem quer obedecer, e muitas vezes até quem não quer obedece inconscientemente
definir boa música é difícil… são linguagens diferentes
André: raphael, você bate na trave de se libertar da sociologia crítica(1)
mas não consegue
incrível isso
parece que alguém da escolinha de frankfurt te prendeu
Raphael: hauhauahuah
eu tento, vai
André: não tenta
aí que tá…
Raphael: vai ver eu sou um marxista nato
André: você bate na trave porque não quer pensar
e fica repetindo senso comum pseudomarxista
anota aí: A sociedade trasnparente
Gianni Vattimo
Raphael: anotado
André: nem tá…
anotou mesmo???
Raphael: procurando um papel
mas qualquer coisa, está no histórico
André: mas vai se perder no histórico
Raphael: anotei
e que tem esse livro?
André: ele é bom
amanhã faço um seminário sobre ele
quando ficar pronto, te passo o link
o vattimo une heidegger, bejamin e nietzsche de uma forma impressionante
Raphael: então responda suas próprias perguntas, deixe-me entender
hummm
André: ele é cristão niilista
o que é sensacional
me: ham???
isso existe?
André: existe
Raphael: heidegger, benjamin… isso me lembra uma escola aí
André: lembrou errado aí
sabe por quê?
Raphael: diga
André: heidegger nunca foi da escola de frankfurt
e benjamin foi a parte da escola que não foi pros eua
e é o que mais difere dos chatos que são o adorno e cia
Raphael: hummmm
verdade
se bem que não tem lógica mesmo ligar heidegger e a escola
bom, vou tentar ler o livro
mas aqui
responda suas perguntas
André: quais perguntas?
pra mim, belo não é absoluto
em qualquer campo
o que não me joga num relativismo absoluto
que, por si só, já seria um absoluto e me colocaria em contradição
então, busco uma saída na intersubjetividade(2)
o que há é a hermenêutica (vattimo) (3), a pragmática (rourty) (4), as narratividades (5)
que não são absolutas também
nem pretendem abarcar tudo e toda verdade
mas propõem um recorte de mundo, reconhecidamente limitado, mas plural
Raphael: hummmm
o problema de ver o mundo racionalmente é que sempre fica faltando pedaço
André: isso não é um problema
isso é a solução
aliás, solução não
que solução é fatalista
isso é uma chance
Raphael: sim, uma chance para ver que o resto estava errado
querendo ou não isso um dia vai acontecer
André: hem?
que o resto está errado não…
que está errado tudo aquilo que é prepotente
é uma chance pra abandonar a prepotência de simplificar o mundo e vivê-lo, com suas nuances, sabendo não poder abarcá-lo, pois são incontáveis suas possibilidades
Raphael: exatamente!
vê-se que não dá para simplificar, explicar, criar uma lógica…
André: dá pra explicar, criar uma lógica…
mas não “A” lógica,
“a” explicação
nada definitivo. como nem a ciência é, nem a religião conseguiu ser também
Raphael: mas ambas têm essa pretensão
André: infelizmente
na verdade, acho que nem a religião nem a ciência precisam ter mais essa pretensão
Raphael: na verdade, não acho ruim, não para a religião… acho ruim justamente ela não conseguir isso… por isso a igreja sempre entra em desordem e colapso
André: mas se ela não consegue, é ruim que ela tente
Raphael: de fato…
André: para o vattimo, o jeito, para o cristianismo, é reconhecer o valor do amor
Raphael: não só para vattimo, Jesus já queria isso
André: gostei dessa parte, citação de nietzsche, por Santiago Zabala, no livro O Futuro da Religião:
“Democracia é o cristianismo tornado natural”
mas a Igreja se recusa a reconhecer isso
sobretudo o Vaticano
e os vários Vaticanos nascidos em cada esquina
Raphael: não acredito que a ipb fuja muito disso
mas interessante
isso é nietzsche?
André: sim,
mas é uma citação de Zabala,
esse livro propõe que o futuro da religião supõe a substituição do conhecimento pela solidariedade, caridade e ironia
não sei ainda o quanto herege é isso
tô digerindo
uahuahauh
Raphael: huahauahuah
ironia também?
André: nesse sentido: o levantamento de novos modos de falar, que permitem as coisas soarem mais plausíveis, quando previamente soavam incomuns
Raphael: hummm, a retórica se aperfeiçoando
ou tomando outros rumos
mas acho que o conhecimento faz parte da religião
acho importante
André: isso, retórica é a palavra!
retórica pressupõe diálogo
e igualdade de condições
conhecimento é importante? que conhecimento?
Raphael: a hermenêutica é um exemplo
André: hermenêutica não é um conhecimento objetivo
nem se pretende um
o conhecimento importante na religião é apenas a reunião de pessoas
digo, o conhecimento um do outro
o conhecimento de que você não é nada, mas que onde houver dois ou três no nome de Cristo, ali Deus se faz presente
Raphael: claro, claro, concordo plenamente
mas isso não é sofia(6)
André: e???
Raphael: hahaha, não estou falando que tem que ter… mas é diferente do que eu falava
mas então
André: como se conhece a Deus?
Raphael: isso é importante, mas a interpretação bíblia, de forma correta, é importantíssimo
André: como se encontrar com Cristo?
Raphael: conhecer a Deus depende dEle…
intimamente
André: sim
e como ele se dá a conhecer?
Raphael: pela palavra
André: que palavra?
pode ser mais específico?
Raphael: hahaha
pela Palavra
André: pelo Logos
certo?
pelo homem
pelo próprio Deus feito homem
Raphael: sim, sim
ninguém vem ao Pai senão por Mim
é legal esse VEM, e não vai
André: então, o que é o conhecimento, se não o relacionamento sincero entre duas pessoas?
sim, VEM.
porque o próprio filho se relaciona com o Pai.
intimamente
engraçado, sabe o quê? é que o relacionamento com Deus é um acontecimento que muda totalmente a vida de alguém
nesse sentido é o que o dasein heideggeriano(7) pode ter a ver com o amar hoje
Raphael: hummmm
interessante
André: que tal ser esse o próximo post do nosso blog?
nossa conversa, mesmo
sem edições.
Raphael: excelente
André: ou melhor, a gente coloca só a parte em que a gente fala de Deus e de religião
Raphael: ah sim hehehe
mas tem que ler
porque talvez perca o sentido
aliás, fica sem começo
André: é possível que perca
a gente dá uma explicada, se precisar
Raphael: beleza
por mim, ótimo
André: cê faz?
Raphael: deixa só passar um tempo do post do JP
faço
André: o jp já postou?
Raphael: postou, veja lá
olha que me veio à cabeça
se o saber é um discurso e o Logos é Cristo, logo…
André: exato!
aliás, o diálogo é a razão
que é o próprio Logos
Cristo é o diálogo de Deus com a humanidade
Cristo é a razão
em que sentido?
razão como instrumento, causa e finalidade
porque dele, por meio dele e para ele são todas as coisas.
Raphael: eu posso chamar isso de razão prática(8)?
André: acho que não é só razão prática, embora sobretudo prática
razão pura também
mas não sei
já tá além daquilo que posso afirmar nos meus parcos saberes que não são senão doxa
Raphael: huummmm
acho que alguns termos vão ter que ser explicados no post haha
André: é possível que sim
haha
afinal, a ideia do blog era se fazer entender, né?
pra adolescentes, inclusive
uhauahaaha
Raphael: hauahuahuah
com certeza
afinal, quem é esse tal de heidegger

_______________________

(1) Sociologia Crítica – De acordo com o André: uma coisa chata que uns alemães que viviam nos EUA inventaram por volta da década de 40. Trata, entre outros, da indústria cultural, que é, basicamente, a transformação da cultura em mercadoria.

(2) Intersubjetividade – Relacionamento entre dois humanos envolvendo diálogo e responsabilidade.

(3) Hermenêutica – praticamente interpretação textual.

(4) Pragmática – interpretação do texto além do seu significado óbvio.

(5) Narratividade – …

(6) Sofia – em grego: sophia: sabedoria.

(7) Dasein – termo criado por Heidegger que significa ser-aí, que é o homem, existindo no mundo e no cotidiano.

(8) Razão prática – articulação de meios tendo fins em vista.

Anúncios

0 Responses to “A razão em Cristo, Cristo como razão.”



  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s





%d blogueiros gostam disto: