Arquivo para 2 de junho de 2009

A Carta do Som do Céu e o Régis Danese

por jotapê

Tive o prazer de estar na equipe do 25° Som do Céu, em que a Carta foi produzida. Em meio a muito trabalho, pude ouvir lindas canções, participar de ótimos debates, e principalmente conversar com grandes pessoas, e perceber que sim, há vida inteligente e muito criativa em nossa Igreja. Dentre tantos, gostaria de destacar Stênio Marcius e o pessoal do Crombie, que muito me abençoaram.
A carta me chamou muita atenção por sua pertinência e ousadia, em abordar um tema tão delicado de forma tão diferente como tem sido tratado. Concordo com ela, e assino embaixo de todos os pontos.
Mas, ultimamente, um outro fato, aparentemente sem ligação direta, me fez pensar bem mais sobre a carta, sobre os seus significados e sobre os tempos em que vivemos. Que o mercado fonográfico gospel é um filão bastante rentável, já é sabido, como mostra o contrato da Aline Barros com a Som Livre/EMI. Que hoje em dia existe uma tendência a se querer fazer teologia através de letras de música (ou de “louvores”), também não é nenhuma novidade; e que de tempos em tempos o mercado gospel produz músicas de qualidade duvidosa e que grudam em nossos ouvidos, é ainda mais claro. Mas existe um artista e uma música que juntaram tudo isso, e deram um passo adiante. Trata-se da música de Régis Danese “Faz um milagre em mim”, que você (e todo mundo) já deve ter ouvido, e muitas vezes (especialmente se você anda de trem). Porém, não é apenas no meio gospel que esta música tem sido ouvida. Gravada pelo grupo de pagode Pique Novo (do qual se diz por aí que Régis é amigo, e até autor de sambas), é presença certa nas rodinhas de pagode mais diversas, que em geral não acontecem em igrejas. E é cantada a plenos pulmões por todos, alguns ficando até emocionados (acredite, eu já vi).
Ora, comendo pelas beiradas, a música de Régis Danese tem conseguido um dos objetivos da Carta do Som do Céu, que é eliminar a dicotomia entre profano e sagrado, e lidar com a arte de forma mais ampla, além dessa divisão. E aí está ele, tocando em todas as rádios, gospel ou não… Creio ser esse fato e a produção da carta produtos de um mesmo momento, em que cada vez menos cabe isolar a Igreja do mundo. Sobre isso, conversei com Felipe Vellozo, do Crombie (grande cara!), um dos colaboradores da Carta. Ele afirmou que provavelmente esse sucesso deva-se a alguma influência junto às rádios, que outros artistas até melhores (cristãos ou não) não conseguem ter para ter sua arte divulgada. Mas mais que isso, mostra a grande necessidade que as pessoas têm de ouvir algo que responda a seus anseios, e de preferência algo de qualidade.
Se Régis Danese está abrindo uma porta e uma nova perspectiva na música gospel ou será um fato isolado, é cedo para saber. Mas ainda me inquieta muito o porquê de tantas pessoas cantarem “entra na minha casa/entra na minha vida”… E realmente não sei se é um bom sinal. Mas definitivamente é um sinal, que tem que ser percebido com toda a atenção.
PS: Recomendo uma visita ao espaço do Crombie. É música muito boa, com propostas melhores ainda. Como diz o Vellozo, não é uma banda cristã, mas uma banda de cristãos. Faz toda diferença.

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