Arquivo para junho \28\UTC 2009

para Phael hoje

Amado Phael,

crendo nos planos insondáveis de Deus, só podemos agradecer, hoje, pelo dia em que ele o trouxe ao mundo. Só podemos agradecer pelo dia em que você encontrou o Alfredo e a Bella, na PUC e na Oitava. Pelo dia em suscitou ciúmes no Eler. E assim que você foi se tornando parte de nós. Pelo momento inusitado em que você teve a ideia do blog. Pelo acampamento que deu a você uma nova esperança e que fez você conhecer o Mateus e o JP.

(Aqui é o Eler falando:) Se Paulo diz aos romanos que o amor não se ufana em ciúmes, do ciúme se formou o amor, nesse caso. Conversar com você foi sempre um desafio, sempre um aprendizado, desde o início. Por isso, fui convencido a confiar a você aqueles que eu amava e de quem estava tão loonge. Já disse certa vez: o Phael é um anjo que Deus colocou na vida de alguns amigos em BH, para cuidar deles, quando eu estivesse longe. Sei que isso é meio egocêntrico. Parece até que eu cuidava de alguém antes… Parece até que Deus ia colocar alguém só para me substituir. Mas serviu pra me deixar tranquilo. (Cala a boca, Eler!)

Você foi obra da providência de Deus, Phael.

Você é o companheiro certo para os questionamentos mais difíceis, para as conversas mais densas.

Obrigado por isso. E que Deus lhe multiplique a paz que você já transborda (e paz é um belo eufemismo para toda sua tranquilidade! haha).

Um abraço dos que estão com você neste mesmo caminho.

A razão em Cristo, Cristo como razão.

por Phael

Algumas vezes me pego em conversas interessantes com o Eler. Essa foi apenas mais uma delas (é um pouco de reflexão de nós dois, mas é também, na maioria das vezes, um monte de respostas – dele – para um monte de perguntas – minhas).

E o que ela tem de tão especial? Ela une Nietzsche, Heidegger, Benjamin, Vattimo e outros e chega a um ponto comum, Cristo. Seja como razão, como sensibilidade, como retórica, como opinião, ela chega a Cristo. E isso a torna especial. (Colocarei notas para explicar cada termo que aparecer.)

Bom, sem mais demoras, vamos à conversa:

Continue lendo ‘A razão em Cristo, Cristo como razão.’

A Carta do Som do Céu e o Régis Danese

por jotapê

Tive o prazer de estar na equipe do 25° Som do Céu, em que a Carta foi produzida. Em meio a muito trabalho, pude ouvir lindas canções, participar de ótimos debates, e principalmente conversar com grandes pessoas, e perceber que sim, há vida inteligente e muito criativa em nossa Igreja. Dentre tantos, gostaria de destacar Stênio Marcius e o pessoal do Crombie, que muito me abençoaram.
A carta me chamou muita atenção por sua pertinência e ousadia, em abordar um tema tão delicado de forma tão diferente como tem sido tratado. Concordo com ela, e assino embaixo de todos os pontos.
Mas, ultimamente, um outro fato, aparentemente sem ligação direta, me fez pensar bem mais sobre a carta, sobre os seus significados e sobre os tempos em que vivemos. Que o mercado fonográfico gospel é um filão bastante rentável, já é sabido, como mostra o contrato da Aline Barros com a Som Livre/EMI. Que hoje em dia existe uma tendência a se querer fazer teologia através de letras de música (ou de “louvores”), também não é nenhuma novidade; e que de tempos em tempos o mercado gospel produz músicas de qualidade duvidosa e que grudam em nossos ouvidos, é ainda mais claro. Mas existe um artista e uma música que juntaram tudo isso, e deram um passo adiante. Trata-se da música de Régis Danese “Faz um milagre em mim”, que você (e todo mundo) já deve ter ouvido, e muitas vezes (especialmente se você anda de trem). Porém, não é apenas no meio gospel que esta música tem sido ouvida. Gravada pelo grupo de pagode Pique Novo (do qual se diz por aí que Régis é amigo, e até autor de sambas), é presença certa nas rodinhas de pagode mais diversas, que em geral não acontecem em igrejas. E é cantada a plenos pulmões por todos, alguns ficando até emocionados (acredite, eu já vi).
Ora, comendo pelas beiradas, a música de Régis Danese tem conseguido um dos objetivos da Carta do Som do Céu, que é eliminar a dicotomia entre profano e sagrado, e lidar com a arte de forma mais ampla, além dessa divisão. E aí está ele, tocando em todas as rádios, gospel ou não… Creio ser esse fato e a produção da carta produtos de um mesmo momento, em que cada vez menos cabe isolar a Igreja do mundo. Sobre isso, conversei com Felipe Vellozo, do Crombie (grande cara!), um dos colaboradores da Carta. Ele afirmou que provavelmente esse sucesso deva-se a alguma influência junto às rádios, que outros artistas até melhores (cristãos ou não) não conseguem ter para ter sua arte divulgada. Mas mais que isso, mostra a grande necessidade que as pessoas têm de ouvir algo que responda a seus anseios, e de preferência algo de qualidade.
Se Régis Danese está abrindo uma porta e uma nova perspectiva na música gospel ou será um fato isolado, é cedo para saber. Mas ainda me inquieta muito o porquê de tantas pessoas cantarem “entra na minha casa/entra na minha vida”… E realmente não sei se é um bom sinal. Mas definitivamente é um sinal, que tem que ser percebido com toda a atenção.
PS: Recomendo uma visita ao espaço do Crombie. É música muito boa, com propostas melhores ainda. Como diz o Vellozo, não é uma banda cristã, mas uma banda de cristãos. Faz toda diferença.

Carta do Som do Céu

Aqui está o documento produzido durante o 25° Som do Céu, realizado na Semana Santa.  Depois de alguma demora, aqui está reproduzida a Carta do Som do Céu. Leia, divulgue e opine. Em breve, falaremos mais sobre ela.

Carta do Som do Céu
Nós, músicos, artistas e líderes eclesiásticos, cristãos, vindos de várias regiões brasileiras, estivemos reunidos entre os dias 6 e 12 de abril de 2009, no Acampamento da Mocidade Para Cristo do Brasil, dias de comemoração dos 25 anos do Som do Céu, para discutir dois temas principais: “A música e os músicos na igreja” e “A igreja como promotora de cultura”. Agradecemos a Deus pelos dias de comunhão fraterna entre nós e pelo privilégio de ouvi-lo entre as vozes pastorais e proféticas que ecoaram em nosso meio. Reconhecemos que a música cristã tem ocupado um espaço significativo em nossos dias, tanto na igreja como na sociedade em geral. No entanto, observamos que nem sempre essa participação tem sido coerente com a Palavra de Deus — nosso referencial maior — nem rendido glórias ao Senhor da Igreja. Desejamos, portanto, apresentar à Igreja brasileira a Carta do Som do Céu, sintetizada em 25 pontos, que resume nossas inquietações e propõe ações práticas à Igreja de Cristo Jesus, neste início de século 21.

1. O artista cristão deve desenvolver o seu dom criativo e submetê-lo exclusivamente aos valores da Palavra de Deus;
2. Cremos que a arte, na perspectiva da graça comum, é um presente dos céus a toda a humanidade e não está restrita aos cristãos;
3. Desejamos que haja coerência entre a vida, o ministério e a profissão do artista cristão, cujo discurso deve estar aliado à sua prática;
4. Esperamos que o artista cristão busque servir a Deus e à sociedade com excelência e integridade, dedicando-se ao desenvolvimento dos talentos e dos dons recebidos do alto;
5. A igreja precisa estar atenta ao artista cristão como parte do rebanho de Deus e dar a ele a atenção devida, despida de preconceitos, e oferecer-lhe pastoreio e discipulado, objetivando a sua formação espiritual e ética;
6. Esperamos que o artista cristão esteja envolvido em uma igreja local, servindo-a e amando-a como Corpo de Cristo. Deve ser rejeitada a tentativa de desenvolvimento de uma fé individualista e distante da comunidade;
7. Reafirmamos que a elaboração de textos e letras deve ter embasamento nos valores da Palavra de Deus;
8. Comprometemo-nos a dedicar atenção e reflexão às canções que são introduzidas no culto de adoração e nas demais atividades da igreja, buscando um repertório equilibrado e consciente e evitando, de todas as formas, que heresias e desvios teológicos adentrem sutilmente em nossas comunidades;
9. As igrejas, as instituições de ensino teológico e os artistas cristãos devem combater o ensinamento equivocado e amplamente difundido de que louvor e adoração restringem-se à musica, ensinando, por demonstração e exemplo, que se trata de um estilo de vida que envolve todas as áreas da nossa existência e que a música, assim como outras formas de arte, é expressão legítima de louvor e adoração;
10. A igreja deve agir como facilitadora na adoração e abrir espaço para que todos expressem seu louvor a Deus;
11. Esperamos que o músico cristão busque e desenvolva a santidade, vivendo uma vida piedosa, tanto no serviço prestado a Deus na igreja, quanto fora dela, em sua atividade profissional;
12. Rejeitamos a dicotomia que faz separação entre o sagrado e o secular e cria espaços estanques na vida do cristão. O Senhor Jesus é soberano e governa todas as instâncias da vida, e, por isso, devemos somente a ele a nossa fidelidade, agradando-o em tudo e rejeitando tão-somente o que ofende a sua glória;
13. A Igreja não se pode esquivar de sua responsabilidade diante da cultura na qual está inserida; deve mentorear a reflexão e a prática de uma teologia de arte e cultura;
14. Incentivamos as igrejas a abrir suas dependências para a realização de eventos culturais, como exposições, mostras, cursos, saraus e outras atividades visando à educação, à divulgação e à aproximação da sociedade;
15. Mesmo entendendo que todo trabalho na igreja é voluntário, podemos honrar com sustento ou remuneração aqueles que se dedicam ao ministério musical, se a comunidade disponibiliza de recursos para tal;
16. Entendemos que nossa arte deve encarnar uma voz profética e manifestar em seu conteúdo os valores do reino;
17. Recomendamos que as igrejas promovam encontros de reflexão sobre a utilização das artes no reino de Deus, capacitando os artistas para a realização de seu trabalho;
18. Incentivamos os músicos a expressar em sua arte a beleza de Deus por meio de uma contextualização e diversidade musical;
19. Reconhecemos o caráter essencialmente transformador e questionador da nossa arte e não cremos que ela deva estar a serviço do mercado;
20. Embora os artistas cristãos não se devam render aos senhores da mídia, tornando-se reféns desta, podem utilizar de maneira ética os meios de comunicação como canal para a divulgação de sua arte, proclamando, assim, o reino de Deus;
21. No que se refere ao relacionamento entre os músicos e a liderança eclesiástica, encorajamos o diálogo, o respeito e o reconhecimento mútuo de seus ministérios como algo dado por Deus;
22. Incentivamos que os artistas cristãos busquem perante o Estado e a iniciativa privada recursos para a promoção de sua arte por meio de leis de incentivo à cultura, editais para financiamento de projetos culturais etc.
23. Encorajamos as igrejas a investir na educação e na formação de artistas;
24. Propomos que as igrejas e as instituições de ensino teológico incentivem as diversas manifestações artísticas e não somente a área musical;
25. Compreendemos que o ofício de artista é legítimo como tantos outros, podendo ser exercido pelo artista cristão no mercado de trabalho e devendo ser apoiado e incentivado pelas comunidades cristãs.

São Sebastião das Águas Claras, 9 de abril de 2009.

Aristeu Pires, Carlinhos Veiga, Denise Bahiense, Erlon Lemos, Gladir Cabral, João Alexandre, Jorge Camargo, Jorge Redher, Marcos André, Marlene Vasques, Nelson Bomilcar, Paulo César, Romero Fonseca, Rubão, Sérgio Pereira e Wesley Vasques.