por jotapê
Tive o prazer de estar na equipe do 25° Som do Céu, em que a Carta foi produzida. Em meio a muito trabalho, pude ouvir lindas canções, participar de ótimos debates, e principalmente conversar com grandes pessoas, e perceber que sim, há vida inteligente e muito criativa em nossa Igreja. Dentre tantos, gostaria de destacar Stênio Marcius e o pessoal do Crombie, que muito me abençoaram.
A carta me chamou muita atenção por sua pertinência e ousadia, em abordar um tema tão delicado de forma tão diferente como tem sido tratado. Concordo com ela, e assino embaixo de todos os pontos.
Mas, ultimamente, um outro fato, aparentemente sem ligação direta, me fez pensar bem mais sobre a carta, sobre os seus significados e sobre os tempos em que vivemos. Que o mercado fonográfico gospel é um filão bastante rentável, já é sabido, como mostra o contrato da Aline Barros com a Som Livre/EMI. Que hoje em dia existe uma tendência a se querer fazer teologia através de letras de música (ou de “louvores”), também não é nenhuma novidade; e que de tempos em tempos o mercado gospel produz músicas de qualidade duvidosa e que grudam em nossos ouvidos, é ainda mais claro. Mas existe um artista e uma música que juntaram tudo isso, e deram um passo adiante. Trata-se da música de Régis Danese “Faz um milagre em mim”, que você (e todo mundo) já deve ter ouvido, e muitas vezes (especialmente se você anda de trem). Porém, não é apenas no meio gospel que esta música tem sido ouvida. Gravada pelo grupo de pagode Pique Novo (do qual se diz por aí que Régis é amigo, e até autor de sambas), é presença certa nas rodinhas de pagode mais diversas, que em geral não acontecem em igrejas. E é cantada a plenos pulmões por todos, alguns ficando até emocionados (acredite, eu já vi).
Ora, comendo pelas beiradas, a música de Régis Danese tem conseguido um dos objetivos da Carta do Som do Céu, que é eliminar a dicotomia entre profano e sagrado, e lidar com a arte de forma mais ampla, além dessa divisão. E aí está ele, tocando em todas as rádios, gospel ou não… Creio ser esse fato e a produção da carta produtos de um mesmo momento, em que cada vez menos cabe isolar a Igreja do mundo. Sobre isso, conversei com Felipe Vellozo, do Crombie (grande cara!), um dos colaboradores da Carta. Ele afirmou que provavelmente esse sucesso deva-se a alguma influência junto às rádios, que outros artistas até melhores (cristãos ou não) não conseguem ter para ter sua arte divulgada. Mas mais que isso, mostra a grande necessidade que as pessoas têm de ouvir algo que responda a seus anseios, e de preferência algo de qualidade.
Se Régis Danese está abrindo uma porta e uma nova perspectiva na música gospel ou será um fato isolado, é cedo para saber. Mas ainda me inquieta muito o porquê de tantas pessoas cantarem “entra na minha casa/entra na minha vida”… E realmente não sei se é um bom sinal. Mas definitivamente é um sinal, que tem que ser percebido com toda a atenção.
PS: Recomendo uma visita ao espaço do Crombie. É música muito boa, com propostas melhores ainda. Como diz o Vellozo, não é uma banda cristã, mas uma banda de cristãos. Faz toda diferença.
JP!
que boas reflexões encontro por aqui.
muito legal. parabéns.
venho sempre.
Gostei muito da carta som do ceu,mas queria mais explicacao estou um pouco confusa ainda,nao entendi muito bem
Realmente é curioso o modo como essa música “pegou”. Em qualquer bar que tenha uma roda de pagode, mais cedo ou mais tarde ela aparece. Também não sei se isso é bom ou ruim. Mas sem dúvida mostra que o meio “secular” não tem os preconceitos que sobram no meio eclesiástico de aceitar uma manifestação artística, sem importar a sua origem. Os rótulos “musica de crente” e “música do mundo” e esse tipo de divisão só existem na cabeça de alguns que não enxergam que toda a manifestação do Belo e, por consequência, da Arte é dada por Deus. Não sei se é o caso dessa música especificamente, nem gosto muito dela, mas serve como comentário geral.
ah, e só para deixar claro, eu não gosto da música.